O artista terá decidido que não pactuaria com a tentativa de criação da imagem do corpo perfeito, então em ascensão na Alemanha nazi. Em 1933, no ano da subida de Hitler ao poder, Hans Bellmer criou a sua primeira boneca. Dois anos depois o testemunho transpôs as fronteiras e chegou a Paris, onde 18 fotografias de “La Poupée” foram publicadas na revista “Minotaure”, dos surrealistas franceses.
Hans Bellmer, “La Poupée”, 1934
O culto obsessivo do ideal de raça e pureza genética servia de mote para a criação de esculturas flexíveis, que representavam a desconstrução da imagem convencional do corpo da mulher, objecto lúbrico, sensual e vulnerável da tão propagandeada perfeição ariana. A escala dos membros aproximava-se das dimensões naturais e a sua articulação, desordenada, desafiava a discrição dos corpos, recorrendo frequentemente à valorização das áreas erógenas.
Hans Bellmer, “La Poupée”, 1934 / 1934

Hans Bellmer, “La Poupée”, 1934 / 1936

Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935

Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935

Hans Bellmer, “Les Jeux de la Poupée”, 1935

Hans Bellmer, “Les Jeux de la Poupée”, 1935

Hans Bellmer, “Les Jeux de la Poupée”, 1935

Hans Bellmer, “Les Jeux de la Poupée”, 1935
A maioria destas composições foi criada entre 1934 e 1938. A série tomou impulso a partir da edição em livro de um conjunto de dez fotografias a preto e branco – “Die Puppe”, no original alemão –, que o artista publicou a expensas suas em 1934.

Hans Bellmer e “La Poupée”, 1936

Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935

Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935

Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935

Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935

Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935
Hans Bellmer, “La Poupée dans le Fenière”, 1935-36
Hans Bellmer concebeu a primeira boneca em 1933. Era constituída por peças móveis que podiam ser articuladas em múltiplas combinações, claramente erotizadas e provocantes. As fotografias registavam a postura seleccionada, verificando-se em alguns casos a necessidade de colorir à mão, sobre a impressão fotográfica, determinados pormenores para realçar um conjunto incisivo de detalhes anatómicos.

Hans Bellmer, “La Poupée”, 1936

Hans Bellmer, “La Poupée” (1938), a partir do original

Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935-49

Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935-49
Hans Bellmer, “La Poupée”, 1934
"O corpo assemelha-se a uma frase que nos convida a desmembrá-la nas letras que a compõem, de forma a que o seu verdadeiro significado pode ser revelado através de um novo fluxo infinito de anagramas." (Hans Bellmer, 1962)
Fontes: aqui, aqui, aqui e aqui.
Hans Bellmer, Kattowitz, Alemanha, 1902
(actual Katowice, Polónia) m. Paris, França, 1975