20 Julho 2010

Remake (8)

Pintura: The Arnolfini Portrait (1434)
Jan van Eyck, Bélgica, c.1390-1441
"O Casal Arnolfini”, óleo sobre madeira, 82,2 × 60 cm
título original: “Portrait of Giovanni Arnolfini and his wife”
National Gallery, Londres, Inglaterra
Jan van Eyck
Maaseik, c.1390 - Bruges, 1441
Reprodução da obra, The Grand Tour, West End, Londres, 2007

Fernando Botero (Colômbia), “Matrimonio Arnolfini”, 1978

Fábio Rex (Brasil), “O Casal Arnolfini”, 2007
Aldo Cavini Benedetti (Perú), “After I Coniugi Arnolfini”, 2008

18 Julho 2010

Hans Bellmer

O artista terá decidido que não pactuaria com a tentativa de criação da imagem do corpo perfeito, então em ascensão na Alemanha nazi. Em 1933, no ano da subida de Hitler ao poder, Hans Bellmer criou a sua primeira boneca. Dois anos depois o testemunho transpôs as fronteiras e chegou a Paris, onde 18 fotografias de “La Poupée” foram publicadas na revista “Minotaure”, dos surrealistas franceses.

Hans Bellmer, “La Poupée”, 1934

O culto obsessivo do ideal de raça e pureza genética servia de mote para a criação de esculturas flexíveis, que representavam a desconstrução da imagem convencional do corpo da mulher, objecto lúbrico, sensual e vulnerável da tão propagandeada perfeição ariana. A escala dos membros aproximava-se das dimensões naturais e a sua articulação, desordenada, desafiava a discrição dos corpos, recorrendo frequentemente à valorização das áreas erógenas.

Hans Bellmer, “La Poupée”, 1934 / 1934

Hans Bellmer, “La Poupée”, 1934 / 1936
Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935
Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935
Hans Bellmer, “Les Jeux de la Poupée”, 1935
Hans Bellmer, “Les Jeux de la Poupée”, 1935
Hans Bellmer, “Les Jeux de la Poupée”, 1935
Hans Bellmer, “Les Jeux de la Poupée”, 1935
A maioria destas composições foi criada entre 1934 e 1938. A série tomou impulso a partir da edição em livro de um conjunto de dez fotografias a preto e branco – “Die Puppe”, no original alemão –, que o artista publicou a expensas suas em 1934.
Hans Bellmer e “La Poupée”, 1936
Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935
Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935
Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935
Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935
Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935
Hans Bellmer, “La Poupée dans le Fenière”, 1935-36
Hans Bellmer concebeu a primeira boneca em 1933. Era constituída por peças móveis que podiam ser articuladas em múltiplas combinações, claramente erotizadas e provocantes. As fotografias registavam a postura seleccionada, verificando-se em alguns casos a necessidade de colorir à mão, sobre a impressão fotográfica, determinados pormenores para realçar um conjunto incisivo de detalhes anatómicos.
Hans Bellmer, “La Poupée”, 1936
Hans Bellmer, “La Poupée” (1938), a partir do original
Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935-49
Hans Bellmer, “La Poupée”, 1935-49
Hans Bellmer, “La Poupée”, 1934
"O corpo assemelha-se a uma frase que nos convida a desmembrá-la nas letras que a compõem, de forma a que o seu verdadeiro significado pode ser revelado através de um novo fluxo infinito de anagramas." (Hans Bellmer, 1962)

Fontes: aqui, aqui, aqui e aqui.
Hans Bellmer, Kattowitz, Alemanha, 1902
(actual Katowice, Polónia) m. Paris, França, 1975

17 Julho 2010

Lita Albuquerque

“Stellar Axis Star”, instalação
O projecto foi concluído em 22 de Dezembro de 2006. Nesse dia, a escultora Lita Albuquerque realizou, na Antárctida, uma performance usando a espiral de Arquimedes. Durante dez minutos, e com a colaboração de 51 voluntários da base de McMurdo, instalou 99 esferas em fibra de vidro de diversas dimensões, reflectindo o céu no solstício de Verão do hemisfério sul.





Lita Albuquerque junto das esferas em fibra de vidro


Lita Albuquerque tem dedicado grande parte do seu trabalho ao estudo da intensidade dos pigmentos e dos contrastes, resultantes da combinação das cores em termos de luminosidade, energia e movimento. À expressão gráfica e ao uso da tecnologia alia o sei interesse pela origem do universo.






"Estou interessada em mudar de escala, tal como o objecto observado é afectado pelo observador – o espaço como um vazio, o espaço não existente no tempo. Alterando a escala e o contexto de toda a envolvência (como um instrumento científico de medição), o conjunto torna-se um instrumento de percepção artística." (Lita Albuquerque)


Lita Albuquerque, “Stellar Axis Star”, instalação, 2006

Fontes: aqui, aqui e aqui.
Lita Albuquerque, Santa Mónica, Califórnia, EUA, 1946

10 Julho 2010

Alfredo Cunha (2)

Foi um dos fotógrafos que imortalizou os acontecimentos desencadeados pela revolução de Abril de 1974. Alfredo Cunha iniciou a actividade em 1971, no “Notícias da Amadora”, e em 1972 ingressou nos quadros do jornal “O Século” e na revista “O Século Ilustrado”, vindo a trabalhar posteriormente no “Público”, no “Comércio do Porto” e no “Jornal de Notícias”. É actualmente o director adjunto da “Global Imagens”.
Alfredo Cunha, Lisboa, 1973 / 1975
Alfredo Cunha, Lisboa, 1974
Alfredo Cunha, Lisboa, 1974
Alfredo Cunha, Lisboa, 1974
Alfredo Cunha, Lisboa, 1974
Sobre o início da carreira profissional, em entrevista à jornalista Laura Machado, em 2003:
Era muito novo…
Era. Aos 18 anos era repórter fotográfico do jornal Século que era um dos jornais mais importantes do país.
No 25 de Abril era um fotógrafo ainda um pouco inexperiente.
Sim, estava há dois anos no Século, tinha 20 anos.
No seu livro diz que gastou 40 rolos e se fosse hoje gastava 400.
Provavelmente. Sonho com isso. Tenho um pesadelo frequentemente que estou no 25 de Abril e não tenho rolos para fotografar. E tenho outro pesadelo com o meu pai. Sonho muito com o meu pai. Ele a dizer que eu sou estúpido por ter fotografado pouco…”
Alfredo Cunha, Lisboa, 1974
Alfredo Cunha, Capitão Salgueiro Maia, Lisboa, 1974
Alfredo Cunha, Lisboa, 1974
Alfredo Cunha, Lisboa, 1974
Alfredo Cunha, Lisboa, 1974
Alfredo Cunha, Lisboa, 1974
Alfredo Cunha, Lisboa, 1974
“Durante estes últimos quarenta anos fiz milhões de fotografias. Penso que aprendi várias vezes a mesma profissão. Fotografei em vários formatos, com várias tecnologias, com as mais diversas influências. O resultado, numa aparente ironia patética, é sempre o mesmo: nestas fotografias, nas minhas fotografias, parece que o tempo parou. É uma situação paradoxal.” (Alfredo Cunha, 2010)
Alfredo Cunha, Guiné, Fim da Guerra Colonial, 1974
Alfredo Cunha, S. Tomé e Príncipe, Dia da Independência, 1975
Alfredo Cunha, Lisboa, 1975
Alfredo Cunha, 11 de Março de 1975
Alfredo Cunha, Lisboa 1975 (11 de Março) / 1986
Otelo Saraiva de Carvalho / Mário Soares
Alfredo Cunha, Francisco Sá Carneiro, 1975
Alfredo Cunha, Álvaro Cunhal, 1976
Ao Jornal de Notícias, Alfredo Cunha denunciou conformado:
“Sou a terceira geração de fotógrafos na família. Tive um avô chamado Alfredo Cunha, um pai chamado António Cunha. Foi estilo ‘quer queiras que não, vais ser bombeiro voluntário’.” (Alfredo Cunha, JN, 09.07.2010)
Alfredo Cunha, Snu Abecassis e Francisco Sá Carneiro, 1979
Alfredo Cunha, Mário Soares, 1991

Fontes: aqui, aqui, aqui e aqui.